2006/05/26

Valorar A Abstenção.

Vou tentar explicar o que eu entendo por “Valorar a abstenção”.

Mas antes deixem-me chamar a atenção para alguns aspectos “sociológicos”.
Um dos problemas que mais escandaliza a população é o facto de os que ocupam cargos políticos (ou públicos) ganharem muito e serem incompetentes e inúteis (para os cidadãos e para o País).
A grande dificuldade em inverter esta situação, em muitos casos, se não em todos, reside na presunção de cada interveniente; na dificuldade que as pessoas têm de se auto avaliarem, no “relativismo” das auto avaliações (há sempre quem seja pior e ganhe mais)… Para além de que, na nossa sociedade, tudo o que acontece de mal é “culpa dos outros”. Ninguém tem culpa de nada, nem tem nada que ver com o que quer que seja…
A meu ver, tudo isto reflecte comodismo e tacanhez dos respectivos, mas é fruto, principalmente, das “impunidades”, da ausência de mecanismos de responsabilização e punição, correcção, dos comportamentos "desviantes". Os titulares dos cargos só têm direitos, (a “prestígio”, a dinheiro, a serem respeitados sem merecer) não têm responsabilidades, não prestam contas.
Isto tem de mudar!
Têm de se instituir regras que permitam responsabilizar, devidamente e idoneamente, toda esta gente. Ninguém melhor do que o conjunto dos cidadãos, eleitores, para “exercer” essa função que, valha a verdade, lhe pertence, em exclusivo, por inerência da democracia.

Proposta de Alteração do Sistema Eleitoral!
- Propõe-se que o número máximo de Deputados seja reduzido para 100, correspondentes a 100% dos eleitores, no território nacional;
- Propõe-se a alteração dos métodos de eleição (contas), de modo a que a percentagem de deputados de cada força política seja rigorosamente igual à respectiva percentagem REAL de votos obtidos nas urnas, tomando como base o TOTAL DE ELEITORES INSCRITOS;
- Propõe-se a criação de um círculo uninominal por cada distrito; mais um círculo nacional, onde o número de deputados eleitos por cada força política, adicionado aos deputados eleitos por cada distrito, completaria o número correspondente à respectiva percentagem global de votos. As forças políticas que não elejam deputados distritais, mas que consigam uma percentagem de votos que resulte em um ou mais deputados, elegem o respectivo número de deputados pelo círculo nacional.
- A eleição dos lugares de deputados correspondentes à emigração deve ser tratada separadamente, por serem em reduzida percentagem, desprezando-se a influência da respectiva percentagem de abstenção.
- Que os deputados de cada formação política, sejam eleitos na correspondência exacta da percentagem real de votos obtidos; ou seja, a cada um por cento de votos deve corresponder um por cento de deputados, até um máximo de 100 lugares, para cem por cento dos votos, ficando vagos os lugares relativos à abstenção votos brancos, votos nulos e atribuídos aos pequenos partidos que não consigam eleger deputados, se estes não se manifestarem em contrário.
- Que os lugares não ocupados, no parlamento, sejam considerados como "opiniões desconhecidas", devendo as matérias mais controversas e as ESTRUTURAIS ser decididas por referendo (que deve ser convocado sempre que as "opiniões desconhecidas" possam ser determinantes para a respectiva decisão).
- O Primeiro Ministro deve ser nomeado de modo a garantir o apoio da maioria do parlamento. Se tal não for possível, deve o cargo ser entregue ao partido mais votado mas, neste caso, o seu desempenho deve ser referendado quando se esgotar a percentagem de tempo do mandato correspondente à respectiva percentagem de votos. (Este governo, por exemplo, teria de ser referendado ao fim de 30% do tempo de duração do mandato; ou seja: ao fim de 15 meses)
- Que a adequação do desempenho governativo e do parlamento sejam referendadas em cada dezoito meses de vigência dum mesmo mandato, devendo o parlamento e/ou o governo, serem destituídos se não obtiverem mais de 50% de votos positivos.

Que estas propostas de alteração sejam referendadas

Também defendo que o desempenho do Presidente da República e dos Presidentes das autarquias passem a ser “confirmados”, ou não, através de referendos, logo que termine a percentagem de tempo dos mandatos correspondente às respectivas percentagens de votos; devendo obter mais de 50% dos votos para poderem manter o cargo.

Todos os que não conseguissem a ratificação da maioria da população, não poderiam se recandidatar, nas duas eleições seguintes...
Quanto aos Governadores de Distrito, ou deixam de existir, ou então devem passar a ser eleitos directamente pela população (juntamente com as autárquicas), de entre candidaturas apartidárias, alargando-se as suas responsabilidades e competências…

A meu ver, alterações desta natureza só são legítimas se decididas, directamente, pelos cidadãos. Os políticos e deputados são parte interessada, pelo que não têm legitimidade democrática para decidir acerca de temas destes.
Esta proposta tem tanto direito a ser discutida publicamente e submetida a referendo como qualquer outra, visto que é diferente de todas as outras conhecidas. É uma questão de elementar (e honesta) democracia…

Muita coisa mudará, neste país (e nos outros), quando estas regras forem implementadas.
Todas as pessoas medianamente inteligentes têm noção do que é correcto, ou não, fazer, em cada situação ou opção, têm noção de o que corresponde aos interesses da maioria da população. Por isso só podemos concluir que as patifarias que nos destroem são premeditadas e “fruto” da impunidade…

Reparem que os cidadãos nem ao menos têm direito à verdade, em matéria de eleições. Quantas pessoas têm noção de que a “maioria” de Sócrates, nas Legislativas de 2005, foi obtida com uns reles 29,3% dos votos dos eleitores?

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APELO!
Atenção às campanhas mais recentes:
-- Petição Para Valoração da Abstenção
-- Assine a petição AQUI, ou AQUI ou AQUI, ou AQUI, ou AQUI
-- Denúncia de Agressão Policial
-- Petição contra os Crimes no Canil Municipal de Lisboa
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12 comentários:

Biranta disse...

Caro amigo TMA!
O seu ligeiro desacordo é, afinal, uma questão decisiva.
Na minha proposta, como em qualquer situação em que se defenda o respeito, genuíno, pela democracia, não se trata de criar novos preceitos, ou conceitos, ou elites (no caso a elite do voto em branco) mas de respeitar, como deve ser, os direitos inalienáveis de CADA cidadão.
A distância, abismal, existente entre a prática e conceitos dos políticos, por um lado, e a realidade e os conceitos dos cidadãos; a distância que vai entre a actuação dos políticos e o que é necessário fazer para resolver os problemas reais, dos cidadãos, o que os cidadãos acham que deve ser feito, essa distância, repito, é representada pela abstenção, pelo menos no nosso País. Portanto tem de se valorar a abstenção para acabar com essa distância, uma vez que a prática, aberrante, dos políticos é legitimada pela usurpação de representatividade dos abstencionistas, ponto final.
Se é assim que as pessoas actuam, se é assim que as pessoas manifestam a sua "opinião" é isso que deve ser respeitado e ponto final. Ou seja: não se trata de impor comportamentos, mas de respeitar decisões...
Mesmo que se dê outro tratamento ao voto em branco, ou ao voto nulo, isso não invalida a questão da valoração da abstenção. Dito doutro modo: os candidatos devem representar, apenas e só os votos que recebem e mais nenhuns. Se as pessoas não lhes dão os votos não podem eles apropriá-los de forma vigarista e nazi...
Não creio que esta ideia seja assim tão difícil, a não ser por parte das pessoas cujo raciocínio está viciado pela demagogia e os vícios da "lógica" dos políticos.
Os nossos problemas só poderão ser resolvidos com alterações radicais na forma de fazer política, porque é isso que é decisivo; qualquer cedência, nesse aspecto, torna inúteis as alterações que passam a ser assim do estilo: "mudar alguma coisa para ficar tudo na mesma".
No fundo, o que defendo é que cada um possa optar como entender, mas sem se achar com o direito de impor comportamentos aos outros, ou de valorar/desvalorizar os comportamentos e competências dos outros a partir de "processos de intenção". Os motivos que levam cada um a não votar só ao próprio dizem respeito; sejam eles quais forem, não legitimam a usurpação de representatividade. Os candidatos a qualquer eleição só têm direito aos votos que lhes são expressos e a mais nenhuns.
Eu estou aqui a explicar isto tudo, mais uma vez, mas, francamente, nem precebo qual é a dificuldade em compreender uma coisa tão simples e elementar... vício... presunção... prepotência... que as pessoas assimilam com a demagogia reinante!
Desculpe a repetição de algumas ideias, mas é de propósito, visto que elas parecem tão difíceis de compreender pela lógica vigente, que tem de ser demolida...

É curioso disse...

Os governadores de distrito podem ser encontrados pela maioria das câmaras no distrito ou na região. Será uma forma expedita de encontrar um governador civil, sem custos para os contribuintes.
O número de deputados não me prenúncio e até posso estar de acordo. Agora quanto aos tais referendos sobre o governo e sobre os presidentes. Já teve em conta o custo que isso acarretaria para os contribuintes? Seria um custo adicional com os políticos incomportável para qualquer sociedade.

Biranta disse...

Só faz sentido a existência de Governadores de Distrito desde que eleitos directamente. Essa de "encontrar" gente para estes cargos tem sido a forma de colocar toda a espécie de bandidos, de mafiosos. Não posso concordar!
Quanto aos custos do referendos, essa desculpa não pega, é falácia. Primeiro porque, numa sociedade minimamente organizada como a nossa terá de passar a ser, essas consultas fazem-se a custos aproximadamente zero. É só vantagens... Segundo porque esse argumento serve (tem servido) para desprezar as opiniões da maioria dos cidadãos que, numa boa parte dos actos governativos, se sabe muito bem qual é; e que até é obtida em inquéritos de opinião... Como os referendos não são "praticáveis", não têm validade e as opiniões dos cidadãos também não. É assim um raciocínio do estilo: aberração atrás de aberração, não importa quantas, desde que se alimente a besta da corrupção, do compadrio e tráfico de influências, da apropriação do poder usado contra todos nós. Também não pega!
Finalmente os custos: Mesmo admitindo que houvesse custos significativos, seriam muito inferiores aos custos incomportãveis, da alimentação dos actuais gangs que enxameiam os cargos políticos e outros; com uma diferença, que faz toda a diferença: estes custos seriam produtivos e contribuiriam, decisivamente para resolver os nossos problemas, ao contrário dos custos actuais, que nos estão a destruir, como povo e como nação, sem permitirem qualquer saída, via de solução para os nossos magnos problemas.
Almeida Santos dizia, duma forma arrivista, que a Democracia é um luxo que se paga caro. Pois eu acho que o povo português paga, caro demais, democracia que não tem que estes como Almeida Santos nos têm recusado e de que se têm servido, contra as regras básicas da democracia. Portanto, se tivermso que pagar, caro, ao menos que paguemos, realmente democracia. É que esses custos são produtivos, porque só a democracia nos pode salvar, só havendo democracia, a sério, podemos ter esperança de ver resolvidos os nossos problemas, de vermos as pessoas certas nos lugares certos, acreditarmos no futuro, num futuro melhor, porque passa a ser possível e toda a gente percebe...
Os custos, quaisquier que eles sejam, serão sempre inferiores aos que agora se suportam para sustentar tanta chulice, tanto gangsterismo, tanta gente pérfida e criminosa que tem destruído o estado de direito, o direito do estado e tudo, usaurpado todos os recursos, os que há e os que não há, para proveito próprio e dos seus comparsas.

Zé Tonto disse...

Para se poder escrever “valorar”, pior ainda, “valorar/desvalorizar” é imprescindível ser-se totalmente iletrado a mais não poder. Pior, é de iletrado pedante. As vírgulas semeadas pelo texto só podem dificultar a sua leitura. Há duas escolas na colocação das vírgulas. Eu prefiro aquela que torna um texto mais legível e compreensível àquela que tenta fazer separações sintácticas. Afinal, não é um texto a representação escrita dum discurso oral? Não é essa a única finalidade da escrita? Um texto deve poder ser lido em voz alta e permanecer inteligível, sem ser lido aos soluços nem aos safanões. Ou não? Dito isto, é também verdade que até qualquer analfabeto pode ter ideias aceitáveis, em certos casos mesmo judiciosas, sensatas e acertadas. Não é um paradoxal.

Na lixeira do panorama político português e ao ponto de baixeza a que a política chegou, qualquer mudança efectuada só poderá melhorá-lo. As ideias aqui apresentadas não são criteriosas e produziriam um grande melhoramento na presente situação. É verdade que os deputados estão bastante mal distribuídos, que o sistema é absurdo, que tudo está como mais convém à manutenção da podridão e corrupção dos políticos, aos seus interesses mesquinhos, entre os quais em se servirem do país em lugar de o servirem, etc., etc. Aqui não poderia estar mais de acordo. No entanto existem outros métodos de contar os votos em branco. A existência dum senado também seria e grande utilidade, sobretudo para ajudar ao equilíbrio da regiões, embora não seja esta a sua única função. Agora, criar governos regionais para Portugal seria uma loucura que apenas serviria para criar mais “jobs” para os “boys”, ou seja, dar mais presas aos lobos, quando já têm demasiadas – absolutamente injustificával devido ao tamanho diminuto do país.

Antes que qualquer coisa possa mudar é preciso criar as condições para que isso possa acontecer. A corrupção actual é tão profunda que é por aí que é preciso começar. Enquanto isso não mude, nada resultará. Porquê? Porque os políticos não vão querer perder a impunidade, os privilégios, o saque legalizado das finanças públicas das mais diversas maneiras, em seu favor. A descarada e desavergonhada corrupção aberta de fazer mudar mais de 2000 cargos públicos de partido para partido ao sabor de quem “ocupa” o governo, com o pretexto falso e burlão de que são por “confiança política” (é para rir? não, é para chorar, porque passa) em lugar de atribuir os lugares por concurso público a pessoas competentes. Esta é também a fonte dós péssimos serviços prestados pelo estado, onde dirigentes desleixados e corruptos, políticos incapazes e gananciosos, tal como os governantes, de cuja oligarquia são parte integrante, tudo aquilo de que se preocupam é de explorar ao máximo tudo o que podem a seu favor enquanto lá estão e podem. Enfim, "mudar alguma coisa para ficar tudo na mesma", como dizes é o que agora se tem feito e a única mudança actualmente admitida e desejada pelos políticos, acompanhada de um golpe de marketing burlão. Não é que lhes seja difícil compreender o que expões. Simplesmente não o aceitam porque não lhes convém. Ou ainda acreditas na sinceridade dos burlões e não viste já que é assim?

O é curioso parece estar entorpecido. Está completamente desinformado. É o estado em que políticos e jornalista têm posta a população. Parece impossível que em Portugal, a maioria da população seja tão orgulhosa de ser tão ignorante e pedante. É incompreensível que na nossa época ainda exista gente na Europa que não conheça como funciona uma democracia, mas que de certo sabe como dar pontapés a uma bola e até acha isso patriótico. Chegou-se ao fundo, uma país que toma os escoicinhadores de bolas por heróis. Sem a mínima ideia do que é uma democracia, a ponto de a confundir com uma oligarquia, completamente aparvalhado por políticos corruptos e jornalistas coniventes. Então, esse ilustre senhor não sabe que a democracia tem custos e deixa-se convencer pelas balelas dos políticos corruptos nesse sentido? Está tão cego na sua sabedoria de ignorante que nem se dá conta que o que lhes convém é exactamente que ele (e todos os outros) acreditem nisso? Então não sabe que é essa uma condição sine qua none para a existência duma democracia. É como se passa nas verdadeiras democracias europeias. Se calhar pensa que por votar já vive numa democracia. Os políticos que larguem o osso de todos os privilégios financeiros que eles e os a seita de amigos têm, os saques que fazem à fazenda pública e até sobrará dinheiro para muito mais. É um exemplo vivo da ignorância em que políticos e jornalistas projectaram todo um povo. Pois, não se “prenuncia” é sobre o número de deputados. As razões que apresentas, porém, são absolutamente válidas. Só que não são aberrações, como inocentemente afirmas. São premeditações da mais baixa maldade, de gente como a seguir descrevo. Os gangs que referes. É para aí que vai o nosso dinheiro, para enriquecer ladrões que se legalizam a eles próprios. Noutro campo e relativizando, é comparável aos custos das vias de comunicação rápidas. O desenvolvimento que permitem gera riqueza múltiplas vezes maior aos custos da gratuitidade de utilização. Mas ninguém nos fala de como os países desenvolvidos se desenvolveram, só se vão buscar exemplos à merda de Espanha, e mesmo assim só os maus e nunca os poucos bons.

Há mais; e não é melhor. Os registos das escutas telefónicas do processo da Casa Pia revelaram como essa alta classe da nobre fina flor do entulho se expressa quando longe da observação dos eleitores e não precisa de esconder o seu mais baixo nível de educação e de sentimentos. Este tão baixo nível de educação e de sentimentos, de acordo com a escolha dos termos utilizados e pelo modo como foram proferidos, é absolutamente comparável aos desgraçados que dormem na valeta. Os políticos não admitem serem seus iguais, mas o que admitem ou não só o seu comportamento o pode justificar. Pode o seu comportamento ser interpretado diversamente? As escutas revelaram ainda a baixeza das técnicas de manobras para impedir as investigações e proteger amigos. Contrariamente ao uso nos países europeus em casos de escutas telefónicas, com o apoio doutros corruptos conseguiram que essas conversas não fossem publicadas na sua totalidade, mas aquilo que foi basta para se fazer um juízo. Completa podridão e corrupção. Todavia, o povo concede-lhes poder suficiente para decidirem abafar a publicação completa das escutas. Evidentemente, com a ajuda dos jornalistas.

Já escrevi alguns resumos sobre estes assuntos, incluindo sobe as eleições, a democracia e a oligarquia, em http://leaopelado.bravehost.com/. Os principais temas não estão na página de entrada mas dela partem todas as ligações. O site não é um blog, pois que se trata, como disse, dum resumo da história recente real e não como os políticos no-la querem impingir a fim de continuarem a burlar-nos com a aceitação dos carneiros e dos lorpas anestesiados. Donde, a impossibilidade de discussão de qualquer assunto actual. Para os casos recentes vou iniciar um blog dentro de pouco tempo. Se encontrares alguma concordância com o que lá está, podes pôr um link nos teus blogs.

A única safa neste momento é a de criar um movimento de descrença geral nos políticos e, simultaneamente, forçar um plebiscito que abra caminho para uma transformação completa do sistema. Isto leva algum tempo, mas se não acontecer não vai mudar tão cedo. Nada “pegará” enquanto se continuar a dar consideração valor e imerecidos aos políticos, a admitir tudo o que lhes apetecer fazer. O mesmo se aplica à paródia e palhaçada da justiça que se tem por órgão de soberania e em que tal ideia absurda numa democracia não só não é contestada como é aceite como um dogma pelos atrasados mentais.

Coloca as vírgulas de maneira que eu te possa ler melhor... Mesmo assim, gostei bastante de te ler.

Zé Tonto disse...

Porquê é uma forma de emprego exclusivamente interrogatório, pelo que só pode ser usado quando se lhe apõe um ponto de interrogação. Quando muito, com um de exclamação e outro de interrogação. Jamais apenas o de exclamação, mesmo no contexto duma frase exclamativa.

Ainda quero fazer uma observação acerca da frase a vermelho escuro que diz: “Que estas propostas de alteração sejam referendadas e decididas por toda a população.”

É realmente o que faz falta e como deve ser. É como se passa nos países civilizados, cujos cidadãos têm educação cívica, coisa de que muito se fala, mas que pelo comportamento geral nem se sabe o que é. Para que a população possa actuar como descrito, a sua união é imprescindível. Mas este hábito não existe em Portugal, pois o sistema dos políticos tem sido precisamente no sentido de o evitar, maldosa e premeditadamente, a fim de que nunca lhes peçam contas e venham a perder o poder que usam ilegalmente, as regalias e privilégios, impunidade, corrupção geral e protecção dos amigos e suas acções sujas e ilegais.

Neste caso há todo o trabalho a fazer e isso não é fácil. Há que fazer um grande esforço a fim de obter a união necessária para a criação da força em falta que permita, pelo menos, a concretização dalgumas das ideias que manifestadas, como essa. Não é que não se tenha visto uma certa união que tem gerado alguma força, como a sindical, mas mal aplicada, mal dirigida e até, na maioria dos casos, usada para obter satisfações muito menos importantes do que as necessárias. Um só e pequeno exemplo. A força sindical nunca foi usada para garantir a formação profissional contínua e adequada, que por sua vez garantiria o emprego; nem nunca foi aplicada com o fim de garantir um sistema de saúde digno desse nome e igual para todos, tendo cada grupo de trabalho puxado a brasa à sua sardinha, originando a disparidade actual sem nunca se ter verificado um verdadeiro sistema universal e democrático. As greves sindicais continuam, à toa, muitas vezes por nada, umas com razão outras sem ela.

Uma pressão insustentável não se gera à toa e um punhado de indivíduos tresmalhados, como acontece com os blogs, não produz qualquer efeito útil…. A união só pode ser provocaa pela educação cívica e política das pessoas em geral e isso não existe em Portugal ou é embrionário. No sentido de provocar uma certa causa, podem-se promover os blogs de maior interesse e mais adequados para esse fim, espalhando a palavra e usando todos métodos possíveis e ao nosso alcance. Um desses métodos poderia ser do género que fazem em colaboração com os teus outros bloguistas, um destaque especial idêntico nas páginas de todos os blogs que se dispusessem a colaborar, outro uma lista de links interligando esses blogs, outro ainda o de, em cada blog referenciar frequentemente os artigos dos outros no sentido daquilo que se quer e dar-lhes o maior apoio alcançável. Outros existem, certamente, como fazer um único super blog ou blogs ligados, etc.. Estes são os primeiros que vêm à ideia. Um só blog em que todos escrevam não me parece bom, porque afinal é só um e dá menos nas vistas, como é necessário. Isto é muito do género daquilo que já estás a fazer, só que se encontra em estado embrionário e para resultar tem que ser muito mais alargado e englobar grandes “corporações de blogs. Então, sim, poderia fazer-se petições com números massivos de assinaturas a que o governo teria de dar ouvidos, ou a bronca aumentaria.

Para isto, o que interessa, espalhar a ideia e para isso é preciso fazer aumentar drasticamente o número daqueles que nos lêem. As pessoas devem tomar conhecimento do que é uma democracia, que estes políticos, da maneira como de comportam e come dirigem o país, não prestam nem nos convêm. Devem conhecer os seus direitos e como os usar e obrigar os políticos a aceitá-los, como não aceitar as burlas nas eleições nem após e como votar. Há que aproveitar tudo o que é aproveitável num interesse que parece comum e lembrarmo-nos de que “a união faz a força”, o que em Portugal parece só os sindicatos saberem, mas sem mesmo assim o usarem da melhor forma no interesse daqueles que pretendem defender.

Mais. o que escrevemos deve ser tomado a sério por uma população que se deixa enganar tão facilmente, mas que desconfia de tudo e de todos. Não deve incluir muitos palavrões, deve ser claro e objectivo, deve ter objectividade, razão e fundamento, e sempre que possível apoiado por factos concretos e exemplos (tanto portugueses como de países do norte da Europa, os verdadeiramente democráticos), credível. Para isto, sobretudo dar razão aos políticos quando a tiverem, é importante (e raro!), porque atacar sempre um partido apenas por não simpatizarmos com ele só pode levar ao descrédito. É quase o que faz o José Maria Martins no seu blog – é anti-socialista e pronto. Ele não deixa fazer publicações directas, mas no entanto publicou um comentário meu em que, entre outras coisas descascava o Cavaco, que ele parece sempre defender. É preciso fazer força por ser tomado a sério por todos. E como há tanto género de pessoas, só pode ser de modo neutro e com a verdade, o que não tão fácil, dadas as circunstâncias.

Vais no bom caminho, ainda que em verdadeiro estado embrionário. Agora há que espalhar a palavra pelos blogs e dilatar as participações, ou melhor, ligar muitos e muitos mais blogs no mesmo género. Evitar misturar outro género de blogs ou links.

Que te parece? Pelo menos enchi-te o espaço…

straydog1984@yahoo.co.uk

Biranta disse...

Meu caro Zé Tonto!
Agradeço os comentários... nós é que ficamos tontos ao ler-te.
Quanto às questões das vírgulas, ileteracias e "exclusivamente interrogatório", não me vou pronunciar, por hora, mas é óbvio que, para pessoas como H.Sousa, temos o mesmíssimo defeito: escrevemos muito!
Isso pode ser um inconveniente porque, se é verdade que conseguiremos, sempre, lermo-nos mutuamente, também é verdade que é menos provável que os outros nos leiam (tanto quanto é necessário).
Descobertos os defeitos comuns será que conseguiremos encontrar, também, algumas qualidades comuns? E potenciadoras, de preferência.
Só mais um pequeno reparo:
se voltares a ler o que escreveste certamente te dará ganas de corrigir várias coisas...
O "valorar" é uma opção minha, propositada... mas não me oponho a que outros usem o que lhes parecer mais cómodo.

Ana Galo disse...

Caro amigo, seria interessante ao seu desacordo adquirir a forma concreta de um movimento de cidadãos numa campanha de recolha de assinaturas. Posso garantir-lhe que não ficaria desiludido com os resultados.

Biranta disse...

Amiga Ana!
Lá chegaremos. O importante é não desistir.
Há que espalhar a ideia, fazê-la "crescer e ganhar raízes" nas concepções das pessoas, para que esta luta se torne imparável:

Ines disse...

Desde já abaixo assino!
e concerteza muitos outros se fossem informados!

Biranta disse...

Inês!

É esse bloqueio de informação que temos de ir destruindo, com persistência, para que muita gente saiba e deixe de ser possível, aos OCS, "ignorar"

Anónimo disse...

Simplesmente fantástico!Quero participar activamente.Procurava algo assim.

Anónimo disse...

O estado plutocrático não devia ter o poder de propor ou decidir nada, apenas devia implementar as leis decididas pelo povo. Todas as leis deviam ser propostas e votadas pelos cidadãos através de proposição de lei electrónica e voto electrónico. Todo o cidadão poderia mediante algumas regras propor uma lei electrónicamente, se ela tivesse X votos positivos passaria a lei. Nenhuma lei passaria sem ser referendada através deste processo, o governo só implementaria as leis. O governo é empregado do povo, não tem de decidir ou propor nada.